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Sim, somos todos novatos!

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Ter um mindset criativo associado a uma capacidade de transformar ideias em ações práticas tem se configurado como um dos critérios de valorização da profissão LI docente no cenário das demandas que se apresentam para a escola na contemporaneidade. Quem está em sala de aula escuta inúmeros pedidos para planejar aulas criativas, disruptivas, com uso de tecnologias, que engajem os alunos e façam com que eles resolvam situações-problema com o pensamento fora da caixa. Quem está na coordenação tem a necessidade de assegurar a permanência desses talentos em suas instituições, e se não os tem na equipe precisa, urgentemente, encontra-los ou desenvolvê-los. Professores criativos? Sim, queremos! Mas como as instituições de ensino oferecem condições e segurança de trabalho para esses educadores tão desejados? Fiquei me questionando e fui pesquisar sobre a construção da identidade docente desse perfil de educadores. Para isso, investiguei quais são suas habilidades específicas, suas práticas, o que eles pensam sobre educação, em que referências de estudos se baseiam - enfim, muitas problematizações para entender um perfil profissional tão complexo.

A pesquisa foi concluída no final de 2016, como parte da minha dissertação de mestrado, onde tive a oportunidade de analisar o perfil profissional dos educadores reconhecidos por seus pares e lideranças por possuírem uma competência muito valiosa para a educação do tempo presente: a criatividade e a capacidade de criar aulas encantadoras. Analisei as narrativas profissionais de um grupo de doze educadores, inseridos rio contexto de escolas particulares de Belo Horizonte/MG, e inferi que essa é uma identidade marcada pela construção de uma profissionalidade que se faz na escola, mas de forma especial, atravessada por outras experiências que extrapolam o ambiente da educação formal, uma vez que os professores pesquisados possuíam outras práticas profissionais concomitantes com a atividade docente. O fato de exercer a profissão docente e ter outras atribuições funcionais, como fotógrafo, contador de, histórias, ator/ atriz, músico, cantor, artista plástico, empreendedor social, entre outras frentes de atuação, lhes conferia uma expertise criativa que facilitava a ampliação do repertório de estratégias lúdicas na mediação do processo de aprendizagem em sala de aula.

 

Será, então, que é preciso ter, além da profissão docente, outras atividades laborais? Claro que não! Mas essa pesquisa me fez entender que é preciso ampliar nossas referências formativas, circular por ambientes que nos tirem do piloto automático, que nos coloquem na condição contínua de aprendizes, que nos causem estranhamento no como fazer, que nos levem a experimentar saberes novos e a aplicar conceitos de outras áreas de conhecimento no nosso cenário de prática educativa. Quem, como especialista, nunca se viu focado apenas no seu próprio campo de estudo? Fomos formatados na lógica da racionalidade técnica especializada, e nossas escolas ainda estão construindo um percurso de transição entre o mindset de uma educação tecnicista e transmissiva para uma perspectiva criativa. Por isso, profissionais, da educação ou não, que estão desenhando trajetórias conectadas com um pensamento mais elástico, flexível e adaptável, têm conseguido se evidenciar em um contexto de mudança de paradigmas como o que vivemos neste momento.

É fato: em cenários de transformação, somos todos novatos. É tempo de estimular o desenvolvimento de processos criativos, de cocriação e colaboração. Para isso, precisamos ampliar nossos pontos de contato com a diversidade, conhecer outras formas e jeitos de fazer, sair dos nossos modelos mentais roteirizados. Quando questionamos os educadores pesquisados sobre quais singularidades marcavam a identidade de uma profissionalidade docente mais criativa, eles responderam da seguinte forma:

 

O painel gráfico é o registro de um design de conversas que foi mediado com os professores pesquisados. Várias foram as considerações e contribuições, mas destacamos aqui o reconhecimento da necessidade de valorização da sensibilidade, ludicidade e afetividade para a construção de um fazer pedagógico comprometido com a criação e não com a reprodução, pois, como disse um educador do grupo, "é melhor pedir perdão do que pedir permissão". O painel evidencia a compreensão de que, para a construção de unia profissionalidade para os novos cenários de aprendizagem, há que se desenvolver uma identidade docente que reconheça a dimensão das interações humanas como uma das premissas para uma educação que se pretende inovadora: reconhecer o outro, ter uma escuta atenta em relação às demandas dos alunos, considerar o contexto social em que estes estão inseridos e, sobretudo, abrir portas para um caminho de reflexão crítica. Esse conjunto de aspectos ressaltados pelos professores e mostrados no gráfico corroboram a reflexão de Barbosa (2010, p. 5) sobre uma educação necessária para tempos presentes: "(...) se pretendemos uma educação não apenas intelectual mas principalmente humanizadora, é crucial desenvolver a percepção dessa imaginação, para captar a realidade circundante e desenvolver a capacidade criadora necessária à modificação desta realidade".

 

O que aprendi no percurso dessa pesquisa e que venho compartilhar? Na ocasião, ocupava a função de coordenadora e fui ímpactada e sensibilizada pela necessidade de construirmos, cada vez mais, espaços que estimulem os professores a compartilhar seus saberes docentes, mas sobretudo em relação às suas múltiplas experiências.

Uma provocação para auxiliar gestores escolares a refletir: quem é o seu professor ou sua professora sem o crachá da sua escola? Quais habilidades eles e elas possuem e que você desconhece? Procure entender, ouvir as reflexões da sua equipe, quais são as concepções sobre educação que eles compartilham. Faça um mapa das principais referências e influências que constituem a identidade docente dos seus educadores: seus saberes, experiências, preferências. É fazendo com eles que podemos estimular o desenvolvimento de práticas que irão reverberar em sala de aula. Utilize as reuniões pedagógicas para criar esse momento de partilha. Dessa forma, aumentam as possibilidades da construção de uma comunidade de aprendizagem entre pares, contribuindo para uma profissionalidade que se pretende criativa e inovadora. Acredite: esse. perfil profissional está em desenvolvimento, e nós, quando na função de gestores, nos tornamos responsáveis por esse processo.

Minha intenção com este artigo foi trazer uma provocação para que lideranças escolares reflitam sobre os seguintes pontos:

 

1)   Criatividade não é dom. É processo de desenvolvimento! Crie condições de formação em serviço.

2)   Não se apaixone por ideias que não possam ser mudadas. Dê autonomia criativa para a equipe de professores, não chegue com a ideia pronta para que eles apenas executem.

3)    Algumas práticas podem não dar certo e está tudo bem. Ofereça suporte e acolhida. Apoie, assuma os possíveis erros com o senso de equipe. Avalie com o grupo o aprendizado da experiência. Da próxima vez será mais assertivo.

4)   Compartilhe processos de criação e esteja disponível para feedbacks honestos. Isso aumenta a curva de aprendizagem.

5)   Crie oportunidades de socialização de práticas que estão trazendo impacto para o processo de aprendizagem. É importante ter dados mensuráveis da transformação. Visibilidade sem impacto só alimenta o ego, é preciso ter resultado efetivo.

6)    Alcance objetivos de aprendizagem por caminhos diferentes. Não há apenas uma forma de fazer.

7)    Monte um mapa de referências com perspectivas diferentes antes de tomar decisões.

8)    Faça com a sua equipe docente o que você orienta que seja feito em sala de aula: engaje, motive, estimule seus educadores. Aprender pelo exemplo é uma boa medida.

Por fim, o mais importante de tudo: não há roteiro, nem verdade absoluta. Trouxe aqui um ponto de vista, sem a pretensão de ser um caminho, mas o compartilhamento de uma experiência de pesquisa e de vivência no dia a dia da rotina escolar. A identidade profissional docente um processo de subjetivação muito particular e complexa, exige cuidado, investimento na relação e estratégia para oferecer condições adequadas para o desenvolvimento profissional de cada educador. Que no mês de celebração da profissão docente saibamos reconhecer as potencialidades dos nossos educadores, sejam elas criativas, sejam de outra natureza. Cada um tem muito o que oferecer e aprender! Não há um padrão, valorizemos a diversidade de pensamento e formas diferentes de fazer e exercer o trabalho docente.

 

Fonte:  Revista Linha Direta – outubro 2019

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