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A educação não se conecta na tomada

October 8, 2019

 

Todos os seres humanos são, em geral, educados por três fontes básicas: a família, a escola e as instituições, como igrejas, clubes etc. A rua, que também ensina, poderia ser incluída nesse emaranhado de variáveis que levam o indivíduo a se educar, adquirir valores, se instruir e se comportar socialmente.
A nossa formação enquanto indivíduo é uma combinação desses fatores; a informação que não se obtém em um consegue-se em outro.
De cem anos para cá, a maior parte das instituições passou por mudanças bruscas: a família adquiriu novos formatos, principalmente com a ascensão das mulheres no mercado de trabalho; a Igreja Católica mudou a forma de se comunicar nas missas e em outros rituais litúrgicos, e centenas de outras instituições religiosas surgiram no horizonte; os clubes deixaram a formalidade de lado; e as ruas ganharam novas configurações.
Porém, se compararmos a escola e, principalmente, a sala de aula, veremos que, apesar de mais dinâmica e moderna, pouca coisa ficou diferente:
as metodologias, o currículo engessado, a disposição hierárquica professor-aluno, as avaliações, a forma de se instituírem punições e compensações.
A escola, que no Brasil continua arrastando a herança tradicional, ainda não conseguiu acompanhar as verdadeiras mudanças e pluralidades do mundo.
O filósofo Michel Foucault fez diversos estudos sobre a rigidez das escolas ao longo da história. Para ele, a concepção de escola-modelo dos séculos XVIII e XIX traziam consigo semelhanças com a estrutura de fábricas, prisões e manicômios: uma forma de manter vigilância e adestramento de corpos e mentes, como se as instituições no geral fossem capazes de moldar, preencher a página em branco com disciplina, normas e punições. Sob essa ótica, a escola que conhecemos hoje foi concebida no passado como a detentora absoluta da verdade, sem espaço para críticas e outras formas de aprendizado. A organização da escola, segundo Foucault, foi planejada para garantir esta ordem: a disposição dos alunos em sala de aula, os exercícios e deveres de casa como forma de empregar tempo, a postura para ler, escrever, os horários de início e fim, atribuições de tarefas com certa duração de tempo.

Cabia a ela ser um dos pilares de controle do Estado, formando cidadãos aptos a cumprir todas as normas com bastante rigidez. Estava a escola presa às suas próprias didáticas, isolada do mundo e da sociedade. O grande erro das instituições de ensino, no entanto, foi o de não perceber que elas não eram maiores que o próprio mundo. O período que vivemos atualmente é marca de uma grande mudança no mundo: o acesso, o domínio e a aprendizagem de tecnologias. Desde a chamada Revolução Cognitiva, entre 70 mil e 30 mil anos atrás, quando surgiram novas formas de o homem pensar e se comunicar, os mais velhos eram detentores de todo o conhecimento: eles tinham acesso às histórias e às escrituras, sabiam como manipular ferramentas e como se configuravam os sistemas sociais. Os jovens eram apenas aprendizes.
Hoje vivemos a primeira geração da história humana que convive com o fato de que os jovens têm mais domínio sobre questões fundamentais da tecnologia do que os mais velhos. Por isso, é urgente que a escola (incluindo gestores, professores e demais funcionários) passe por um processo de atualização e de adequação, não mais para retomar as rédeas e ser a detentora do conhecimento, mas para dialogar com o mundo e alcançar melhores resultados de ensino e aprendizagem.
Dentro dessa perspectiva, é fundamental que a escola invista em novas tecnologias para o aprimoramento de sua educação, utilizando as novas ferramentas como apoio a didáticas, dinamismo e formação básica. No entanto, é preciso entender que a modernidade da educação e a eficiência do ensino-aprendizagem não provêm apenas da aplicação de objetos eletrônicos. Uma sala de aula formada inteiramente por tablets conectados, aplicativos dinâmicos e estruturas atraentes não garante uma aula dinâmica, contemporânea e eficaz. É possível encontrar aulas monótonas e arcaicas em salas repletas de hologramas, leds e projetores, como é possível encontrar aulas dinâmicas e eficientes em diversas escolas públicas rurais, sem acesso à internet.
A tecnologia pode ser extremamente útil em instituições de ensino para o desenvolvimento da educação, e que bom seria se todas as escolas oferecessem tablets aos seus alunos. Mas o que torna uma aula objetiva e eficiente é o planejamento, a qualidade do professor e a receptividade dos alunos. É um erro educativo pensar que desenvolvimento e aprendizagem nascem de coisas que se conectam na tomada.

Fonte: Revista Linha Direta

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