Clima escolar: a escuta e o reconhecimento podem transformar o ambiente


Muito tempo de nossos professores é dedicado e vivido dentro da escola. É um espaço diverso e dinâmico, em que muitos sentimentos o perpassam. Por vezes, esses sentimentos passam também a dar o tom dentro dos processos de aprendizagens e, por isso, não dá para ignorar o clima do ambiente escolar. Muitas vidas se cruzam nesse espaço único e mágico de trocas: amizades florescem (que podem durar uma vida ou marcar uma época), momentos vitoriosos são conquistados, pessoas e saberes são transformados. A beleza da escola está na magia de envolver pessoas com propósitos maiores, que se somem à aprendizagem. Está na fluidez das trocas, no olhar incentivador do colega, que torce e apoia você. No exercício do diálogo respeitoso. Na atitude que incentiva e procura meios para um fazer conjunto. No ensinar para oportunizar um jeito novo de aprender. Mas nem só de alegria vive a escola. Não podemos deixar de falar dos momentos de frustração e de decepção, que também permeiam e até frutificam o aprendizado dentro da escola. Às vezes, são acontecimentos pontuais e adversos. Outros, porém, se enraízam de forma discreta, mas profunda e quando nos damos conta, assim como erva daninha, acabam destruindo laços e afetando diretamente a alma da escola e a sua missão. É aí que o papel do gestor passa a ser imprescindível. Ele tem que, junto com a sua equipe, criar estratégias e caminhos para não deixar que as frustrações se transformem em algo que afete todo o ambiente o clima da escola, deixando-o frio, impessoal e improdutivo. A escola que não respeita os seus diferentes atores e que não trabalha para formar uma equipe envolvida que trabalhe com clima e perspectivas positivas, se torna distante do seu papel e dificulta alcançar os objetivos esperados. Para agir sobre esses pontos, é preciso identificar sinais de frustração ou decepções e não deixar que esse sentimento se enraíze e influencie o clima no trabalho e o cuidado com a comunidade interna. Alguns sinais que podem ser percebidos: - o isolamento do profissional; - a desmotivação com a profissão; - o descaso com o fazer docente; - a falta de empolgação com projetos e discussões da escola; - a ausência de proatividade; - a escola e todas as tarefas passam a ser um fardo. Colocar-se à disposição e utilizar o processo de escuta sensível pode ser o primeiro passo de muitos para lidar com o clima escolar. Assim como existem muitas famílias que quando a criança anuncia uma nota boa ou o sucesso em uma atividade, elas retrucam que não fizeram mais que a obrigação, existem escolas que também têm deixado de lado o exercício do reconhecimento. Com isso, têm perdido bons profissionais que, desmotivados, têm produzido e dado menos do que realmente são capazes. O ato de elogiar, de reconhecer, de fazer-se disponível para o outro, dentro do espaço escolar, tem o poder de fortalecer as relações e transformar esse espaço, que chamamos de escola, em terra fértil para ampliação de saberes de todos os envolvidos. Fonte: gestaoescolar.org.br