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ALFABETIZAÇÃO um desafio para a educação

November 13, 2018

Para Maria da Conceição Silva Marins (67), a junção das letras, que vai formando palavras, frases e textos, para além de complicada, se apresenta como barreira, impossibilitando o alcance de novas oportunidades e impactando, até mesmo, o convívio social. Maria nasceu no interior de Minas Gerais. Não frequentou a escola, porque tinha que cuidar das irmãs e ajudar no sustento familiar. Quando chegou à idade adulta, tentou estudar, mas os afazeres cotidianos tornavam a rotina cansativa, e ela acabou evadindo da escola. A não alfabetização hoje traz dificuldades nas pequenas tarefas do dia a dia, como na hora em que precisa se deslocar de ônibus, reconhecer o nome de ruas, listar os itens que precisa comprar no supermercado ou fazer algum tipo de operação bancária. "As pessoas que tiverem a oportunidade de aprender a ler e a escrever não devem perdê-la. Hoje eu vejo a falta que o estudo faz", diz.
Apesar de o Brasil ter avançado significativamente em relação à alfabetização, a realidade vivida por Maria da Conceição se repete em todo o território brasileiro. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) 2017, ainda há 11,5 milhões de pessoas no País que não sabem ler ou escrever. Em comparação com o ano de 2016, a Pesquisa registrou uma mudança nessa taxa, que de 7,2% caiu para 7%. Já de acordo com o recente estudo realizado pelo Ibope Inteligência, coordenado pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa - o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf) 2018 três em cada dez brasileiros de 15 a 64 anos são considerados analfabetos funcionais. Trata-se de pessoas que não conseguem entender o que diz um texto ou fazer uma conta simples de matemática. Há uma década, esse dado permanece o mesmo.
Na avaliação do coordenador de Desenvolvimento de Pesquisas do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Antônio Augusto Batista, o País teve de fato avanços nessa questão, contudo, os progressos se deram de forma lenta. "Na década de 1960, os analfabetos - e aqui me refiro a quem não domina nosso sistema de escrita - constituíam perto da metade da população. Mais de 60 anos antes, no fim do Império, eles eram mais de 80%. A explicação para esse paradoxal lento avanço reside na ausência de universalização das taxas de matrícula no Ensino Fundamental, que somente ocorreu no fim do século XX. Reside ainda nas desigualdades sociais brasileiras, que distribuem, por sua vez, também desigualmente, as chances de ingresso na escola e de permanência nela", analisa Batista.
O coordenador ainda destaca que foi com o avanço internacional da alfabetização - que, consequentemente, contribuiu para a redução do número de analfabetos - e com o aumento das exigências de uso da escrita na sociedade contemporânea que a expressão analfabetismo funcional começou a ser adotada. "Não basta, nessas sociedades, apenas dominar o sistema de escrita e fazer um uso pontual dela. É necessário também compreender textos distintos, sobre diferentes temas, organizados de acordo com formas de interação diversas. Assim, o analfabetismo funcional se volta para graus ou níveis de domínio dos usos da língua escrita. Quanto maior o domínio desses usos, maiores as capacidades dos indivíduos de circular em sociedades complexas e em permanente mudança", explica Batista.
A professora titular no Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino da Faculdade de Educação da UFMG, Silvania Sousa do Nascimento, corrobora a fala de Batista ao dizer que o motivo de o País ter ainda um número elevado de analfabetos e de não letrados pode ser analisado por vários ângulos. Dentre eles, ela destaca a questão das disparidades socioeconômicas como fator dominante. Silvania analisa: "A alfabetização das camadas populares só foi atingida recentemente. Nosso modelo é de uma alfabetização precoce na infância em uma população que não compartilha uma cultura letrada". 
No que tange à formação de professores, o coordenador do Cenpec é enfático ao afirmar que o País conta com excelentes professores alfabetizadores. Contudo, lamenta sobre a preparação que vem sido oferecida pelas faculdades de Educação. "Nas instituições públicas, apesar das maiores chances de preparação, o currículo dedica pouco tempo para as disciplinas ligadas à alfabetização. O mesmo pode ser dito sobre as particulares. O pouco tempo, além disso, é diluído no quadro mais geral de uma formação que não tem muita clareza sobre o perfil do profissional, nem realiza os investimentos e esforços necessários para uma boa preparação", diz Batista.
Além das necessidades de melhorias na formação dos alfabetizadores e dos professores de modo geral, o estudioso afirma ser necessário dar um outro status a essa ocupação, profissionalizando-a. "Os cursos de formação de professores precisam ser atrativos. As condições de trabalho, bem como as formas de avaliação desse trabalho, precisam melhorar. Precisamos também melhorar nosso currículo, já que a área de alfabetização da BNCC deixa muito a desejar", critica.
Nessa direção, Silvania diz que "as más condições de trabalho na escola pública - o que inclui os baixos salários, as altas jornadas de trabalho e a ausência de práticas de formação continuada - são elementos fundamentais para a manutenção das dificuldades epistemológicas na apropriação do conhecimento escolar".
O alfabetismo deve ser propósito de toda escola. "Boa parte das exigências sociais de uso da escrita estão ligadas aos modos específicos com que cada disciplina, com base na escrita, constrói significados. Assim, quanto mais diversificadas as práticas de leitura e de escrita na escola, melhor para formar indivíduos, que podem usá-las para continuar a aprender, na escola ou fora dela", reflete o coordenador de Desenvolvimento de Pesquisas do Cenpec, Antônio Augusto Batista. Entretanto, o estudioso alerta: isso não pode significar que a alfabetização e os processos de escrita de textos, bem como de leitura, especialmente a compreensão, sejam diluídos. "Quando todos são responsáveis, ninguém é. Existe um profissional que tem de conduzir essa responsabilidade geral. Ele é o alfabetizador e o professor de português", diz.
Silvania ressalta que os diferentes gêneros discursivos circulam na sociedade, e toda essa sociedade contribui para o letramento das pessoas. "Esse já é um trabalho de toda a comunidade! Os espaços sociais são igualmente responsáveis pelo desenvolvimento dessas competências. Mas, de fato, temos poucas pesquisas sobre essa dimensão não escolar e interdisciplinar", avalia.


INCENTIVO À FORMAÇÃO DE LEITORES E ESCRITORES NA AULA DE HISTÓRIA
Se os indicadores de alfabetização ainda não são os esperados, ainda assim é possível observar iniciativas significativas de educadores e instituições de ensino que contribuem para que os níveis de entendimento e aprimoramento da escrita e da leitura avancem. O educador e autor de livros de história, Alfredo Boulos Júnior, por exemplo, tem defendido que o desenvolvimento das competências leitora e escritora é responsabilidade de todas as áreas de conhecimento e que, portanto, deve fazer parte do ensino da disciplina de história.
O educador propõe a reflexão de que boa parte do que os alunos aprendem em história na escola é resultado da leitura de textos e imagens. "Daí a importância de familiarizá-los também com os procedimentos de leitura, específicos e diferenciados, e adequados a cada um desses registros", diz. O autor incentiva o docente de história a desenvolver o trabalho planejado com textos de diferentes gêneros e com uma diversidade de imagens (cinematográficas, fotográficas, pictóricas, a dos quadrinhos, a da charge, a da literatura, a dos jornais, entre outras).
Ele também fala sobre a necessidade de incentivar os alunos a escreverem, uma vez que a leitura e a escrita são competências interdependentes e complementares. Algo que pode ser estimulado até mesmo com a simples solicitação para que os estudantes produzam legendas para diferentes imagens. “É esse trabalho sistemático e planejado que permitirá aos leitores e escritores alunos, com a mediação do professor, conquistar autonomia para ler e contextualizar textos e imagens", avalia o educador. 

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