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O QUE TORNA UMA ESCOLA ATRAENTE E BEM-SUCEDIDA?

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Sucesso: qual escola não deseja?

Desenvolvimento pleno e permanente: quem não almeja? Alunos encantados: quem não quer? Sonhar com o crescimento da instituição e uma educação de qualidade é desejo de todo gestor escolar e educador. O que não existe é receita pronta. As escolas bem-sucedidas no Brasil e no mundo, são escolas em permanente busca, que aprendem dia após dia, a partir dás novas realidades que ; lhes são apresentadas. Hoje, é preciso | repensar os modelos educacionais brasileiros, a fim de afetar, atingir, impactar gerações que ainda estão por vir.

Para debater esse assunto, a Revista . Educadores entrevistou o educador e consultor em desenvolvimento humano, qualidade de vida e relacionamento interpessoal, Júlio Machado. O contato próximo e direto com escolas do Brasil todo faz dele referência na j área, quando a questão é escolas eficazes e alegres. Autor de diversos livros como "Amor e mudança”, “Histórias para crescer”, “A saída é pelo outro lado”, entre outros, Machado reflete a situação do ensino e das escolas do País.

 

Como tornar a escola mais atraente e eficaz para todos?

Machado - No frigir dos ovos, o que torna o aprendizado mais atraente e eficaz, no dia a dia da sala de aula, é a didática do professor aliada a um genuíno interesse dele em ajudar cada aluno a desenvolver a capacidade de aprender. Um professor atuante e comprometido não desiste quando o aluno não aprende ou não se interessa em aprender. Ele move mundos e fundos a fim de encontrar os métodos mais eficientes para estimular nos alunos o interesse pelos estudos. Para o docente, o que importa não é ensinar uma matéria, mas, sobretudo, ensinar o aluno a aprender aquela matéria. E o aluno, de fato, só aprenderá Matemática se ele, em primeiro lugar, tiver mínima simpatia pelo professor, como também perceber a interação do conteúdo com a vida.

 

Mas, nossos professores são orientados para isso?

Machado - Infelizmente, não. O sistema educacional vigente, a começar pelas faculdades de educação e os cursos de licenciatura, valoriza muito mais o conhecimento cognitivo. Temos uma política de verificação quantitativa, em que o acerto é premiado e o erro é criticado, não uma sabedoria integral do ser. O trabalho do professor precisa estar alinhado a todas as esferas de conhecimento: naturais, exatas, humanas, sociais, espirituais e artísticas.

Como a preparação didática, nas faculdades, é relegada a um terceiro plano, o manejo da sala de aula fica dependendo, exclusivamente, do talento individual e da boa vontade de cada professor. Nos dias de hoje, com a ajuda das ferramentas digitais e com os aportes da Neurociência aplicada à aprendizagem, é possível promover uma educação fundamentada no desenvolvimento de competências que envolvam a criatividade, a interação e a inovação para despertar nos alunos o genuíno interesse e prazer em aprender.

 

Não se está gerando, então, uma cobrança ainda maior sobre o professor?

Machado - Sim, está. No entanto, mesmo estando evidente, cada dia mais, que o professor é o grande protagonista da educação, não podemos aumentar as cobranças para que ele se aprimore e inove nas práticas pedagógicas. O professor é o mais sacrificado nesse cenário, pois ele está sendo cobrado em dar aquilo que não recebeu. Daí a urgência em dar suporte para que os professores, desejosos de aprender, possam se capacitar didaticamente e ser também mais valorizados profissionalmente.

 

Todos desejam uma escola atraente, criativa e eficaz. Mas o que impede esse sonho?

Machado - Vários fatores impedem esse sonho, a começar pela falta de participação, tanto dos professores quanto dos alunos, nas decisões que afetam o dia a dia escolar. As coisas ainda vêm muito de cima para baixo - da direção para o professor e deste para o aluno – estimulando mais a obediência do que o engajamento. Depois tem a questão da autoridade na relação professor e aluno, gerando muito desgaste com a questão disciplinar em sala. A maioria dos professores gasta um tempo enorme para conseguir um mínimo de “clima” para a aprendizagem. Outro aspecto são as pressões políticas e institucionais que desviam a atenção da escola e focam, em demasia, os rankings(avaliações externas). Os rankings são parâmetros a serem considerados, mas o essencial é educar os jovens para uma vida mais feliz e com cidadania. Isso passa pela valorização do professor e investimentos na capacitação dele. Não podemos só treinar os alunos para exames, mas devemos educá-los.

 

Os gestores precisam mudar também?

Machado - Eu diria que precisam se abrir. Quando a gestão escolar fica ocupada apenas em apagar incêndios do dia a dia ou, então, demasiadamente envolvida em questões burocráticas, resta pouco espaço para o planejamento e o diálogo com os professores, os principais responsáveis pela navegação e avanço do barco. O professor, como qualquer trabalhador, fica desmotivado quando se sente apenas um empregado que precisa cumprir tarefas, horários e obrigações administrativas. É desestimulante receber ordens sem ter a possibilidade de ser ouvido e de influenciar no andamento do trabalho. Além

disso, relações autoritárias e protecionismos em relação à incompetência, muito comuns em empresas familiares, são muito desmotivadores para o comprometimento e o engajamento do profissional da educação.

 

Como ter uma gestão bem-sucedida, então?

Machado - O sucesso de uma boa gestão escolar passa pelo incremento da eficiência pedagógica. A formação continuada dos professores, especialmente as competências relacionais e socioemocionais, deveria ser uma das prioridades dos gestores. É preciso ajudar o professor a alcançar melhores resultados, investindo na sua capacitação e ouvindo o que ele tem a contribuir com o aprimoramento do funcionamento da escola. Para mim, a mola mestra de um bom ambiente de trabalho é a integração e a cooperação entre as pessoas. Isso forma equipes de trabalhos, não um amontoado de pessoas. E equipes produzem sinergia e prazer no trabalho, o que faz a aprendizagem escolar. Aprender a trabalhar em equipe é uma competência que deveria ser sempre fomentada pelos gestores. A gestão participativa é outro elemento fundamental para que professores, funcionários e alunos se sintam voluntariamente engajados em torno de uma causa comum. Alguém com um espírito voluntário desenvolvido está mais disponível para servir e dar o seu melhor.

 

O que é preciso para ser uma escola do futuro?

Machado - A meu ver, o ponto nevrálgico é desconstrução gradativa do velho modelo escolar para dar lugar a um novo arranjo na forma de se fazer educação. A escola de hoje leve formar pessoas que viverão num mundo que nós ainda não sabemos como será. A Unesco define educar como ensinar a criança a ler, portanto é uma impropriedade chamar de Educação o que é apenas a transmissão de informações.

 

Você está dizendo que em apenas recebe informações não aprende ser pessoa?

Machado - O aluno passa horas ouvindo, inerte, tomo funciona o intestino de um animal, como é a vegetação da Rússia e o nome das capitanias hereditárias. É uma aberração ocupar a maior parte do tempo na escola com informações tão distantes dos jovens, enquanto aspectos como o autoconhecimento, autonomia, visão crítica, felicidade, amor, voluntariado, protagonismo, pesquisa, capacidade de análise, curiosidade, trabalho em equipe, entre tantas competências que preparam para uma vida plena, ficam à deriva esperando que algum professor heroico as desenvolvam minimamente. As novas nações não aguentam mais esperar por essa mudança de paradigma na educação. Vejo com bons olhos algumas iniciativas inovadoras que estão acontecendo pelo mundo.

 

Fonte: Revista . Educadores

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