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A EDUCAÇÃO PRECISA DE “PROFESSORES CARAS DE PAU”

November 6, 2017

 

Quem não tem um amigo cara de pau, que atire a primeira pedra. E quem disser que não tem, não sabe o que está perdendo. É bem provável que, na sua adolescência, você já tenha passado por aquela situação de estar em uma balada e, de repente, cruzar o olhar com aquela pessoa que faz dispararem os batimentos cardíacos. Acontece que você não a conhece e, portanto, não sabe bem como abordá-la.

Mas eis que surge aquele seu amigo mais desinibido, que a turma chama de cara de pau. Embora ele também não a conheça, sem a menor cerimônia, vai lá, se apresenta para ela e, do nada, faz a ponte entre você e a pessoa. Ele não tem receio de arriscar. Nem pensa que pode ser ridicularizado. Ele se apresenta, coloca a situação e, com isso, ganha a oportunidade de conquistar a simpatia da pessoa. O que tem isso a ver com a educação e os professores? Eu explico.

Na sala de aula, muitas vezes temos situação um pouco semelhante. Mudar as práticas tradicionais de ensino continua a ser o principal desafio dos líderes de tecnologia educacional, mas a implementação de novas práticas digitais e o uso da tecnologia na sala de aula não é possível sem o apoio dos professores. Portanto, motivar a mudança das práticas tradicionais de ensino é, hoje, uma prioridade.

Uma experiência levada a termo pela antropóloga Lauren Herckis, na Carnegie Mellon University, uma instituição americana líder em pesquisa educacional, buscou identificar por que os professores relutavam em abandonar seus

métodos tradicionais para adotar novas práticas apoiadas pela tecnologia. Durante mais de um ano, Lauren observou os professores da Carnegie Mellon, em uma maratona que incluiu assistir a todas as reuniões acadêmicas e ler e-mails institucionais dos profes-sores, de modo que pudesse, a partir daí, descobrir por que eles não estavam mudando seus estilos de ensino.

Depois desse exaustivo trabalho, a antropóloga descobriu, em primeiro lugar, que muitos professores e acadêmicos se agarram à sua própria ideia do que seja uma boa educação, ou um bom método de ensino. A partir daí, sua conclusão foi surpreendente: os professores têm uma enorme necessidade de se apegar e manter os seus próprios métodos porque têm muito medo de parecerem ridículos na frente dos estudantes. Esse temor de serem ridicularizados faz com que não tentem algo novo.

Na verdade, é como se lhes faltasse aquela característica do amigo cara de pau, que não se preocupa em demonstrar suas dificuldades, para, a partir delas, construir uma ponte com seus alunos. Talvez essa postura tenha sido fruto de um período - décadas a fio - em que o professor foi visto como um ser humano que tudo sabia e que, em hipótese alguma, poderia ter suas habilidades confrontadas. Ou não deveria mostrar suas vulnerabilidades.

Acontece que o mundo mudou e não houve muito tempo para que esses professores, oriundos de uma geração analógica, se adaptassem e atingissem a mesma destreza para lidar com toda essa tecnologia das novas gerações, que já nasceram digitando e brincando em telas sensíveis ao toque. Aprenderam muitas coisas pelas mais diversas mídias, antes mesmo de colocar os pezinhos na escola. E quando essas duas realidades foram então postas frente a frente, estabeleceu-se um choque entre culturas.

Um relatório intitulado Tendências na aprendizagem digital: construindo capacidade e competência dos professores para criar novas experiências de aprendizagem para os alunos, publicado pela Blackboard e Project Tomorrow, se concentrou em avaliar a disposição dos professores em utilizar ferramentas digitais para transformar a aprendizagem. O relatório envolveu um universo de 38 mil professores, 29 mil pais e 4.500 administradores de escolas de Ensino Fundamental nos Estados Unidos, e apresentou opiniões sobre questões ligadas à aprendizagem digital como parte do projeto de pesquisa Speak Up 2016.

A partir dele, ficou patente aos líderes educacionais que o sucesso de qualquer iniciativa digital nas escolas depende da liderança do professor na sala de aula. Esse relatório mostrou que ferramentas, conteúdos e recursos digitais podem ajudar a elevar as competências dos professores. Também forneceu evidência do valor que a tecnologia pode trazer para as experiências de aprendizagem dos alunos.

É evidente que suas conclusões devem ser avaliadas com cautela, uma vez que se trata de um ambiente diferente do que temos no Brasil. Entretanto, em um mundo globalizado, é importante conhecer algumas das suas constatações, posto que poderão, em determinado momento, se repetir por aqui.

Eis então as três principais conclusões desse relatório sobre tendências digitais de aprendizagem:

• Os pais acreditam que o uso eficaz da tecnologia na sala de aula ajuda a desenvolver nas crianças as habilidades necessárias para a vida adulta.

• Hoje, o grande desafio é motivar os professores para que alterem suas práticas tradicionais de ensino e passem a usar a tecnologia na sala de aula.

• Os professores que praticam a aprendizagem híbrida estão elevando os padrões de aprendizagem e estabelecendo novos processos que atendem às necessidades de todos os alunos.

Ao que parece, essas conclusões poderiam, muito bem, se aplicar à nossa realidade. E, pelos seus resultados, tudo indica que, em nome da melhoria da educação, poderíamos ser todos nós, educadores, um pouquinho mais caras de pau: afinal, somos humanos, e a educação se faz, principalmente, pela capacidade de nos colocarmos na posição de eternos aprendizes.

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