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Professor: qual é o seu lugar na educação?










A sociedade vem passando por grandes transformações. Os avanços tecnológicos afetam o mercado de trabalho e as próprias relações sociais. É a era da informação, que coloca em evidência a importância e o papel da educação na vida dos indivíduos.

Os processos de ensino e aprendizagem, principalmente os desenvolvidos em sistemas escolares, têm exigido dos professores novas formas de atuação e até mesmo de interpretação da sala de aula. Os alunos já não são mais uma "caixa vazia", sedentos por conhecimento, e o conteúdo pode ser acessado em qualquer lugar, até mesmo na palma da mão, pela tela de um smartphone, por exemplo.

É fato que os saberes do professor são construídos ao longo de uma carreira, mas também na sua própria vida pessoal, por meio de experiências de vida. Por isso, são saberes temporais, que envolvem dimensões de identidade, de socialização pro-fissional, fases e mudanças, que se constituem em um conjunto de conhecimentos, competências, habilidades e atitudes. Não é à toa que a formação continuada tem ganhado tanto destaque nos últimos tempos — é a necessidade de construir uma carreira docente que não é formada somente em quatro anos de graduação em uma faculdade.

A contemporaneidade tem proposto ao professor demandas de naturezas bastante distintas. Institucionalmente, ele tem sido chamado a participar mais ativamente nas definições dos caminhos pedagógicos e políticos da escola, a definir recortes adequados no universo de conhecimentos a serem trabalhados em suas aulas, a elaborar e a gerir projetos de trabalho. No campo social, surge a necessidade de aprender a conviver mais intensamente com os interesses e pensamentos de alunos e pais no cotidiano escolar, além de promover uma maior interação com a própria comunidade onde a escola está inserida. Já no aspecto pessoal, tem sido chamado a tomar decisões de modo mais intenso sobre seu próprio percurso profissional e também formativo, a romper gradativamente com a cultura de isolamento profissional, a partir da ampliação da convivência com colegas de outras áreas de conhecimento, em horários de discussões coletivas e nos trabalhos em projetos, a debater e reivindicar condições que permitam viabilizar a essência do próprio trabalho.

Para uma reflexão sobre as demandas e desafios do professor na contemporaneidade, a Presença Pedagógica reuniu profissionais de cada etapa de ensino, da Educação Infantil ao Ensino Superior - uma visão geral, de professor para professor, acerca dos caminhos da educação. Confira nas próximas páginas! 

Entender as crianças como seres completos nas suas potencialidades e saberes próprios da infância e de cada um, buscando, na sua essência, mediar suas experiências a caminho de um^novo conhecimento, é o principal desafio do educador da Educação Infantil. Compreender o brincar diante do fazer pedagógico, mobilizar na hora do "vamo vê'' vários tipos de saberes além daqueles especializados para viabilizar o processo de aprendizagem que é peculiar à criança. Oportunizar experiências que dialogam entre passado, presente e futuro, permitindo que as crianças entrem em atividade efetivamente.


É planejar experiências e não mais aulas. É ir do "dar aulas" ao oferecer contextos significativos de aprendizagem, é promover experiências. É ver a criança despontar e descobrir por si mesma algo que antes não conhecia. É ver a vida acontecer nas simples ações alimentadas de mediação, intencionalidade pedagógica, interatividade e possibilidades de novas aprendizagens e mais uma vez... (re)começar um novo olhar!

Nos dias atuais, nos deparamos com a fragilidade da formação dos professores, visto que as crianças a quem atendemos estão cada vez mais conectadas Com o mundo das mais diferentes formas. É fundamental que o professor, (re)pense sua carreira e, consequentemente, a sua prática, de maneira continuada e em consonância com esses novos desafios, sem deixar de lado alguns aspectos da essência infantil, como os atos de brincar, conhecer, experimentar e se relacionar com todos que fazem parte do seu universo.


As escolhas que o professor faz ao planejar suas aulas são determinantes para auxiliar na formação de um ser humano que não só alcança as respostas esperadas, mas também faz as melhores perguntas para atingir seus objetivos de maneira integrada, coesa e aplicável. Portanto, a qualidade das respostas também depende da qualidade das perguntas.

Ensinar, nos dias atuais, além de ser um desafio, pode ser considerado como uma nova experiência de aprendizado. As demandas do professor do Ensino Fundamental II passam pelo entendimento de informática, salas virtuais, diários eletrônicos, BNCC, lousas inteligentes e, principalmente, pela compreensão das demandas do aluno do século XXI. Essas demandas nos impõem desafios que nos levam a aprender a desaprender e reaprender para que continuemos ensinando com qualidade.

Um dos desafios que os professores na contemporaneidade enfrentam é conseguir fazer com que o conteúdo se torne mais atrativo para uma geração extremamente conectada, e o uso de ferramentas digitais, como o smartphone, em sala de aula, pode ser uma boa saída para ambas as partes.


Além desse, outro desafio enfrentado pelos professores é o abandono afetivo dos pais. Para que o aluno obtenha êxito em sala de aula, é fundamental o acompanhamento dos responsáveis, mas, infelizmente, nos dias atuais, assistimos à terceirização dessa responsabilidade. Os professores, por meio de uma educação mais afetiva, estão tentando suprir a ausência deixada pelos responsáveis, o que torna seu trabalho mais desafiador. Essas demandas e esses desafios só reforçam a minha vontade de continuar a ensinar e transformar a realidade dos meus alunos por meio de uma educação de qualidade.


Eu vejo, hoje, no calor da nossa contemporaneidade, repleta de mudanças no cenário político-educacional, a necessidade de o professor extrapolar os fundamentos técnicos para assumir uma postura muito flexível, criativa, sistêmica e estratégica, que lhe permitirá iniciativas frente ao novo contexto educacional, ao uso das tecnologias de informação e comunicação e, principalmente, ao novo perfil dos nossos alunos, totalmente conectados com o mundo digital.

Diante dessas novas abordagens, percebo o caminho |É forma apropriada e contextualizada, com constante atualização e preparação para desempenhar a função e adaptar-se às mudanças que estão ocorrendo nesse universo escolar.


O professor para o Ensino Superior precisa considerar que os processos educativos contemporâneos devem atender a uma sociedade que passa por mudanças constantes, rápidas contínuas. Espera-se, no Ensino Superior, que o professor - como formador de outros profissionais - ajude a construir uma educação d qualidade, difundindo saberes consagrados í conjuntamente, impulsionando a capacitação técnica e produtiva, a fim de desenvolver habilidades e preparar o aluno para a prática pro fissional e para saber empreender em todas a áreas do conhecimento.

O grande desafio é projetar conscientemente uma ação pedagógica que promova no aluno o crescimento da capacidade de adaptação às situações novas e únicas que exigirão discernimento para compreender o problema, organizar, esclarecer os objetivos e estabelece meios para alcançar soluções diante da gama de informações que são disponibilizadas ininterruptamente com a emergência da sociedade em rede, submersa na cibercultura.


Fonte: Revista Linha Direta - outubro de 2019

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