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O futuro da educação: preparando escolas sustentáveis












A transdisciplina afirma que a escola que apenas escolariza não consegue atender às angústias da época.

Em que escola temos sido?". A provocação de José Ernesto Bologna, psicólogo do desenvolvimento, professor, conferencista e escritor, marcou o encerramento do 12° Congresso Rio de Educação, com a palestra Cultura, educação, escola e futuro. Bologna destacou a importância de todo educador saber relacionar esses quatro conceitos.


A cultura refere-se ao contexto, à mentalidade atual. A educação é um conceito que supera a escola, apesar de esta ter o propósito de pro-duzir educação; de acordo com ele, há uma diferença grande entre educar e escolarizar. Na história da escola moderna, havia um acordo na sociedade: a família era responsável por socializar, a igreja por moralizar e a escola por culturalizar. A partir dos anos 1960, o mundo mudou, e aos educadores ficaram todas as tarefas da formação, mesmo sem alcance ou re-cursos necessários. Para Bologna, é impossível abrigar todos esses desafios. Mas a escola pode ampliar seus poderes apenas de escola- rizador, pensando no que pode entregar além dos conteúdos obrigatórios.


"Escolarizar uma criança pode ser simplesmente fazer com que se dê a ela um currículo com disciplinas, cumprindo uma grade. A escola escolariza, mas não obrigatoriamente culturaliza e educa, porque a educação envolve valores existenciais. A escola apenas dá disciplinas, segue uma legislação ou educa para temas da vida e prepara para o futuro?'', indagou.


Para o psicólogo, é preciso unir três temas: dar significado à vida, incentivar a construção da autonomia e transformar a escola, para que ela consiga atender aos anseios atuais, às transformações do mundo: "O conceito de escola como conhecemos vem de outras épocas e tem dificuldade de atender às necessidades do mundo contemporâneo".


O MUNDO MUDOU, A ESCOLA TAMBEM PRECISA MUDAR

A sociedade passa por profundas transformações. Bologna destaca algumas: a mudança no conceito de família; a educação moral, que deixa de ser baseada no sobrenatural e passa a ser fixada em uma argumentação racional; o fortalecimento da juventude, com sua nova visão de mundo; e o contexto de felicidade, que agora é centrada no desejo.


Outros dois fatores também colaboraram para essa transformação: as redes sociais, que passaram a falar mais na mente dos alunos do que os próprios pais e educadores, além da sustentabilidade, ligada ao respeito à existência do outro. A palavra, que se consagrou no início do século XXI, nasceu na ecologia, mas rapidamente saltou para todas as áreas humanas: "Sustentabilidade é uma palavra absolutamente sábia. Para que a relação seja sustentável, o outro precisa caber, mesmo aquele com quem você não concorda".


O maior problema da educação, segundo o professor, é fazer com que

o indivíduo que se forma na escola seja coletivo, saiba conviver. Educar para o convívio é um tema fundamental da sustentabilidade. "Precisamos transformar a sala de aula para que ela se torne sustentável. Não importa qual é o conteúdo a ser trabalhado, seja sempre um mestre exemplar, com afeto, fala (palavra), face (expressão) e atos coerentes com o que fala. Acredito que só o afeto educa, e a atenção é o veículo do amor. É disso que nossas crianças precisam. Só assim estaremos construindo a educação", ressaltou Bologna.


Fonte: Revista Linha Direta - Outubro/2019

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